Sonhei como sonho em quase todos os sonos e em todos me esqueço da maioria do seu conteúdo, restando apenas, na melhor das memórias, um sentimento latejante dessa quimera. Hoje restou-me mais do que com que tipicamente fico por me ter rendido completamente ao imaginário e não queria acordar por estar com alguém de quem gostava e a realidade ser monótona e amarga. Restou a sua presença num espaço partilhado, pessoas que não sei identificar, figuravam como amigos, eu estava ao balcão do bar a falar com uma rapariga que servia ali até que ele se aproxima e já só me lembro de ele poisar o queixo no meu ombro, dizer algo e sorrir tão caracteristicamente, encostei a minha cabeça na dele numa tentativa de expressar o que sentia sem palavras, acho que ele percebeu, não rejeitou, cedeu, mas entre pestanejar, abrir os olhos e tentar regressar ao sonho não sei bem o que aconteceu a seguir, e se há parte que não vai desvanecer a esquecimento foi tê-lo tão perto a sorrir assim.
Linha correspondente
Entre linhas soltas Entrelaçados De cores diferentes Realmente separados Se esta parede não cai Caio eu Se a luz não entra Apago-me Se a voz não me alcança Eu calo-me Isolo-me E canto Em tom médio Será que se ouve ao lado? Não como podia, Como temo ser ouvida, canto Até as cordas entalarem o som E as cordas não soam acordo vontade Quero que acordes agora Deixes de tentar reanimar memórias Que foram apenas um momento E o rasto que te deixaram foi temporário Então solta a linha, Pois está solta do outro lado Só por um momento foi mútuo, Agora separado, Agora nada, Nada. Se o sol não atravessa a janela Sai Se a parede separa a realidade Sai Se não te falam Fala Diz Se cantar te magoa Canta como podes No tom que devias Não temas Não temas não obter resposta Um dia terás E pode não ser da mesma linha Ou na mesma linha, Mas irá corresponder, Responde ao que tu sentes Não esperes ser remetente
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