Sonhei como sonho em quase todos os sonos e em todos me esqueço da maioria do seu conteúdo, restando apenas, na melhor das memórias, um sentimento latejante dessa quimera. Hoje restou-me mais do que com que tipicamente fico por me ter rendido completamente ao imaginário e não queria acordar por estar com alguém de quem gostava e a realidade ser monótona e amarga. Restou a sua presença num espaço partilhado, pessoas que não sei identificar, figuravam como amigos, eu estava ao balcão do bar a falar com uma rapariga que servia ali até que ele se aproxima e já só me lembro de ele poisar o queixo no meu ombro, dizer algo e sorrir tão caracteristicamente, encostei a minha cabeça na dele numa tentativa de expressar o que sentia sem palavras, acho que ele percebeu, não rejeitou, cedeu, mas entre pestanejar, abrir os olhos e tentar regressar ao sonho não sei bem o que aconteceu a seguir, e se há parte que não vai desvanecer a esquecimento foi tê-lo tão perto a sorrir assim.

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