No dia em que tiver certeza de que quero tatuar os meus pulsos, beijar feridas e correr por aí, estarei eu feliz. O tempo assombra-me, grita-me e chama por mim, eu fico, fico aqui, com medo de ser, finjo ser alguém lá para fora, finjo ser alguém para mim, mas a fachada é fraca e desfaz-se. Não me posso continuar a construir a partir de restos de erros, de momentos passados, de mentiras que me alimentam para continuar. Eu continuo, continuo aqui, mas não quero estar, se eu deixar cair a máscara, eu caio e tudo cai comigo, tenho medo que quando me deixar sentir eu desabe sobre mim. Acho que estas paixões que sinto são distrações que sem querer arranjo para deixar de me sentir alguém, deixar de me sentir, constantemente à procura de um molde a que me adaptar, para ser aceite, mas eu nunca irei preencher um molde que não o meu, o problema está em não querer o meu, o meu não tem qualidade e eu não me quero preencher, então limito-me ao vazio, a rabiscos com canetas permanentes e as mágoas arrecado-as e elas arranham-me até que sangram e eu finjo que não sinto, que não oiço, que não vejo quando quero gritar, atirar-me ao chão e derramar tudo o que recolhi. Não me deixem ser, porque não sou nada. Queria tê-lo aqui, para quê? Queria sentir-me abraçada, por quem? Este vazio que sinto, o que o preenche? Não sei, não sei...! Porque é que nada do que faço me faz sentir arder de amor? Algo que eu faça que ninguém faça por mim, que ninguém me leve a fazer. Eu não sei nada, esse mistério que vêem em mim é ilusão, porque eu não escondo maravilhas nem sabedoria, os anos só me trazem mais consciência, mais realidade que me queima, desejei tanto um futuro ideal, o que eu idealizo, por vezes, realiza-se, mas não se adapta comigo, estou com o meu inimigo. No quarto em que me perdi é onde me quero encontrar, mas não há lugares de cura, não há mudanças que mudem se eu não mudo. No momento em que a máscara cair, não sei quando vou parar de desabar, deixem-me cair se for para nunca mais me levantar. Amar faz sobressair inseguranças mas tentar amar-me cansa e eu não me canso de fugir, não me tentem apanhar, eu vou cair, eu vou cair...
Linha correspondente
Entre linhas soltas Entrelaçados De cores diferentes Realmente separados Se esta parede não cai Caio eu Se a luz não entra Apago-me Se a voz não me alcança Eu calo-me Isolo-me E canto Em tom médio Será que se ouve ao lado? Não como podia, Como temo ser ouvida, canto Até as cordas entalarem o som E as cordas não soam acordo vontade Quero que acordes agora Deixes de tentar reanimar memórias Que foram apenas um momento E o rasto que te deixaram foi temporário Então solta a linha, Pois está solta do outro lado Só por um momento foi mútuo, Agora separado, Agora nada, Nada. Se o sol não atravessa a janela Sai Se a parede separa a realidade Sai Se não te falam Fala Diz Se cantar te magoa Canta como podes No tom que devias Não temas Não temas não obter resposta Um dia terás E pode não ser da mesma linha Ou na mesma linha, Mas irá corresponder, Responde ao que tu sentes Não esperes ser remetente
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