Inconscientemente, tenho evitado escrever sobre ti, sobre o dia em que te deixei ir. A saudade desliza dos meus dedos e despeja-se em cima das letras. Desde aquele dia, tenho deixado uma marca desse aperto em tudo o que escrevo, as palmas das minhas mãos marcadas de culpa, de mor... Fico por aqui, não sei até que ponto escrever sobre isto me pode empurrar para ainda mais longe de mim, eu já tenho o medo fora do meu alcance a impedir-me de voltar. Não sei do que me protege, porque sentir eu sinto, a tua falta, há um espaço oco, que ecoa saudade. Continuo a fugir de mim, talvez um dia me apanhe, a tempo, espero, a tempo de voltar a correr com a minha vida, até ao dia em que nos voltemos a ver. Ursinho, estás aí, não estás? Não sinto que eu esteja.
Ainda não é desta que te consigo homenagear.

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