Lembrete invisível
Precisava de ti lá, em tantas fases em que sorri, sofri e mudei. Nunca soube como é perder, mas certamente sei o que é ser e não te ter. Quando saiste, assumiste uma separação à qual acrescentaste dois dos teus, para deixarem de ser. Não sei se foi isso que querias, mas foi isso que tu deixaste acontecer. Esta carência é tal que, depois de tudo, se voasses até mim, eu aceitaria, mas um dia, já não será assim e tenho mesmo muita pena, talvez mais por ti, porque tu é que terás a consciência sobrecarregada quando perceberes que atiraste fora o que um dia muito desejaste ter. Não serei o teu orgulho, ele não será o teu legado. Descartaste a hipótese de teres mais para amares, comprova-se assim que o teu amor é limitado. Porque é isso que o teu deixa-andar acarreta, não pertenceres à minha vida, e à dele, não saberes como somos todos os dias, o que nos faz sorrir, os disparates que dizemos, as angústias que nos sufocam, nunca serás o motivo do nosso sorriso, a memória num momento, o ar num momento de sufoco, nunca serás p... Ouve-me agora. Gosto de ti e não deveria custar assim tanto dizer isto, não deveria custar nada, não era suposto sentir-me culpada por isso. Então porquê? Não tenho uma resposta literal ou racional para ti. Esqueceste ou finges que não te lembras?
A única memória que deixas é a tua ausência.
A única memória que deixas é a tua ausência.
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