Um dia não haverão mais cartas a escrever, os teus sonhos não estarão mais na almofada, mas no chão em que pisares. O cansaço arrasta-me para debaixo dos lençóis, ali pasmo perante o que nem sequer vejo em primeiro plano. A trovoada rompe e não me sobressalta, não sei como acordar na realidade. Tenho-a mesmo à minha frente, foi revelada em factos e verdades, a minha saúde deterioziou-se, a minha mentalidade encobriu-se, o meu corpo cedeu, apenas aqui moro eu, prestes a desvanecer, prestes a ir dormir e com receio de acordar e já não ver nada do que vê o meu corpo. Não há raio de sol forte o suficiente para desencadear a conexão entre mim e o meu corpo. Há quem deseje isto, o estado de passar pela vida como um fantasma para evitar dificuldades, eu preferia ter a depressão comigo, saberia lidar com ela, com isto, como é que lido com algo que me faz ver como se não existisse, como se eu não estivesse em nada do que presencio?
Linha correspondente
Entre linhas soltas Entrelaçados De cores diferentes Realmente separados Se esta parede não cai Caio eu Se a luz não entra Apago-me Se a voz não me alcança Eu calo-me Isolo-me E canto Em tom médio Será que se ouve ao lado? Não como podia, Como temo ser ouvida, canto Até as cordas entalarem o som E as cordas não soam acordo vontade Quero que acordes agora Deixes de tentar reanimar memórias Que foram apenas um momento E o rasto que te deixaram foi temporário Então solta a linha, Pois está solta do outro lado Só por um momento foi mútuo, Agora separado, Agora nada, Nada. Se o sol não atravessa a janela Sai Se a parede separa a realidade Sai Se não te falam Fala Diz Se cantar te magoa Canta como podes No tom que devias Não temas Não temas não obter resposta Um dia terás E pode não ser da mesma linha Ou na mesma linha, Mas irá corresponder, Responde ao que tu sentes Não esperes ser remetente
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