Não vos esqueço
Nem que o mar se rompa
nem que as placas façam estrondos
nem que hoje volte a ser ontem
nem que a luz se redima a estrela
nem que a casa perca a tinta
e fique apenas cinzenta
Não vos esqueço
nem que destruam o banco de cimento
em que celebrávamos os anos dos nossos
nem que não haja retorno ao dourado do monte
nem que cortem todas as árvores e videiras
nem que os pássaros comam todos os figos
e fiquem apenas os pombos
Têm a minha vida na vossa história
e tenho-vos para sempre na história da minha vida
Vou lembrar-me de quantas vezes o avô contou a mesma anedota
e do saco que trazia sempre, ficava à porta,
e para lá da porta
tanto guardado só nosso
O que vou fazer
quando tudo o que traziam e cultivavam deixar de ser?
quando não descascarem mais fruta e estiverem sempre prontos a dizer sim?
Sempre lá...
Vou continuar a ser eu, apenas e só com as memórias,
com um terreno solitário
mas tão carregado de histórias
Um monte de nada
depois de tantas vidas e horas
depois de tantas lágrimas e vitórias,
O monte do pardo
vincado pelo vosso nome, pelo que lá cultivaram
e fizeram crescer
Prometo, enquanto me lembrar,
nunca irão desvanecer
Nem o monte
Nem as vozes
Nem vocês
nem que as placas façam estrondos
nem que hoje volte a ser ontem
nem que a luz se redima a estrela
nem que a casa perca a tinta
e fique apenas cinzenta
Não vos esqueço
nem que destruam o banco de cimento
em que celebrávamos os anos dos nossos
nem que não haja retorno ao dourado do monte
nem que cortem todas as árvores e videiras
nem que os pássaros comam todos os figos
e fiquem apenas os pombos
Têm a minha vida na vossa história
e tenho-vos para sempre na história da minha vida
Vou lembrar-me de quantas vezes o avô contou a mesma anedota
e do saco que trazia sempre, ficava à porta,
e para lá da porta
tanto guardado só nosso
O que vou fazer
quando tudo o que traziam e cultivavam deixar de ser?
quando não descascarem mais fruta e estiverem sempre prontos a dizer sim?
Sempre lá...
Vou continuar a ser eu, apenas e só com as memórias,
com um terreno solitário
mas tão carregado de histórias
Um monte de nada
depois de tantas vidas e horas
depois de tantas lágrimas e vitórias,
O monte do pardo
vincado pelo vosso nome, pelo que lá cultivaram
e fizeram crescer
Prometo, enquanto me lembrar,
nunca irão desvanecer
Nem o monte
Nem as vozes
Nem vocês

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