O que não faz mal, não faz bem.

O que não agita, não amedronta, não desafia, não transforma, não preenche, não faz espaço para caber uma alegria.
No que hoje se vive, de não se poder viver sem limites, de não se saber bem onde está o risco que não se deve pisar, acabei por deixar que as paredes se fizessem prisões, de mim para mim, e de mim para o mundo. Desconectei de tudo. Até o mais fútil e superficial não tem presença. Um dia passa a outro sem nitidez. E algures no meio, perdi a capacidade de encher esse espaço com o que me fazia sentir que estava a viver a vida, e enfrentá-la, a confrontá-la, a conquistá-la.

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