O que perdoo

​Desculpa-me as promessas que sufoquei com o medo. Desculpa-me todas as vezes que me neguei a viver. Desculpa-me todas as vezes que não afirmei a minha verdade. Desculpa-me o pó que não limpei, desculpa-me todas as vezes que cheguei atrasada para ser feliz.
Nunca acreditei ser possível ser tudo ou algo só sequer. Quero corrigir-me, alinhar-me e lutar por aquilo que mereço. Quero ser inteira. Por mim, pelo meu bem, e para que quando chegar o dia em que terei dado vida a alguém, saber rodeá-lo de um amor tão inteiro que transborde, e que para onde vá, saiba sempre que poderá nadar de volta.
Um amor por inteiro começa pelas partes que cabem em nós. Um amor por inteiro não precisa de ninguém, mas quando tem alguém, é mais, nunca menos, nunca a metade, é mais do que tudo o que já era.

Já tive de reviver vários episódios, corrigir o enredo, aprender de vez a lição para lá de cada erro.
Há meses que não escrevo a sério, e hoje enquanto oiço um novo álbum, as palavras escorrem-me. Vêm do passado, rompem no presente e atiram-se da cabeça para o futuro. Um futuro que anseio, que o sinto perto, mas cada dia parece tão mais distante, e não o vejo, até o viver.

Escrevia ontem uma mensagem de aniversário, e transbordava um sentimento de gratidão por ter surgido na minha vida uma de outras amizades que se revelou constante e autêntica, o que nunca pensei ser possível ter. Daí surgiram-me outras palavras, e a certa altura já estava a escrever para fora. Dizia:

Nada é constante, é nessa efemeridade que se vive. É por saber que não existe um infinito, que se viver agarrado a cada momento. É por saber que nada é para sempre, que se acalmam as sombras, todas desvanecem quando a luz as atravessa. Há um depois de tudo, dos começos, dos fins, até do silêncio.

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