Dançámos uma vez
Dançámos à chuva, ao ritmo dela. Entrelaçamos as nossas mãos e girámos ao correr como tempo corre sem o vermos. As lágrimas divinas percorriam os nossos rostos e o teu riso misturava-se com a água. O rádio, por vezes, parava mas nós continuávamos a dançar, o ritmo estava em nós e era coerente. O rádio voltou a funcionar mas o tempo parou de correr, os braços viajantes relaxaram e o ritmo aumentou, os nossos corpos pararam de dançar, o ritmo aproximou-se, senti a chuva parar e as últimas gotas caírem em mim, saboreei o mar salgado em ti e o doce amargo de se ser feliz ali e nunca mais se voltar a repetir.
Talvez um dia chova outra vez e eu te tenha a meu lado e possamos ficar juntos até ao sol nascer e ver o céu plantar o arco, entrelaçarmos os braços e percorrermos a cidade, dançarmos lado a lado e percorrermos todas as estações sem nunca nos separarmos e entrar no mesmo comboio e não ter receio de uma despedida, porque o destino é o mesmo que o ponto de partida.
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