Chamam por mim
Chamaram-me insensível...
Mas eu sinto o ódio queimar-me por dentro, as mágoas cravarem-me o peito, a minha alma cheia de névoa... é perigoso estar-se em mim.
Mas eu sinto os olhares, as más falas cuspidas, sinto o desprezo, a ignorância... eu sinto-me sozinha.
Mas eu sinto estar apaixonada e não ser recíproco, sinto quimeras serem rasgadas pela realidade, eu sinto quando me dizem que tenho defeitos, quando me dizem que eu não tenho uma boa aparência, quando me chamam burra, estúpida, arrogante, ignorante... eu quero conectar-me com o mundo, eu presto parte de mim a pessoas que me manipulam... eu sinto-me usada, gasta, nula.
Mas eu sinto a rejeição por parte dos que supostamente me deviam amar desde o início, por parte daqueles que me deveriam demonstrar amor, rodear-me de amor, encherem-me de amor, eu sinto parte de mim morrer cada vez que se recusam agir como se partilhassem o mesmo sangue que eu... sinto cada vez que não agem... eles não agem quase nunca e eu sofro todas as vezes.
Mas eu sinto que estou fisicamente presente mas ausente de mim, sinto que tenho um "volto já" permanente que ficou esquecido... mas eu sinto que não sinto saudade, eu sinto que não sinto vontade, eu sinto que não sinto a vida.
E apesar de tanto sentir... "és insensível e arrogante".
Saibam que até em tudo o que eu não sinto, eu sinto a dor de não o sentir.
Saibam que cada pedra atirada, mesmo que não me atinja, eu sinto atingir.
Saibam que cada vez que pronunciam o meu nome para me rebaixar, o vosso gradualmente perde significado, cada vez que me apontam para humilhar, o vosso ser despedaça-se e, parte de vós, parte de vós, cada vez que dizem não se importar, a vossa língua perde a possibilidade de provar a felicidade (quem não se importa, nem o diz porque não o pensa).
Saibam que cada vez que se usarem para pronunciar algo negativo sobre algo ou alguém, perdem parte da vossa identidade, tempo e propósito de vida.
Chamam-me insensível, mas eu senti e não me esqueci.
Chamam por mim, querem apoderar-se de mim, mas graças a vós, eu sou "insensível", cada vez menos sinto os chamamentos inúteis e maliciosos. Chamam por mim, mas eu sou "arrogante", aprendi a ignorar o que não carrega bondade. Chamam-me "mentirosa", dizem que "tento demasiado", aprendi a não ficar na sombra de árvores queimadas, mais vale tentar do que não fazer nada. Chamam por mim, eu ignoro a chamada.
Independentemente de tudo, obrigada.
Mas eu sinto o ódio queimar-me por dentro, as mágoas cravarem-me o peito, a minha alma cheia de névoa... é perigoso estar-se em mim.
Mas eu sinto os olhares, as más falas cuspidas, sinto o desprezo, a ignorância... eu sinto-me sozinha.
Mas eu sinto estar apaixonada e não ser recíproco, sinto quimeras serem rasgadas pela realidade, eu sinto quando me dizem que tenho defeitos, quando me dizem que eu não tenho uma boa aparência, quando me chamam burra, estúpida, arrogante, ignorante... eu quero conectar-me com o mundo, eu presto parte de mim a pessoas que me manipulam... eu sinto-me usada, gasta, nula.
Mas eu sinto a rejeição por parte dos que supostamente me deviam amar desde o início, por parte daqueles que me deveriam demonstrar amor, rodear-me de amor, encherem-me de amor, eu sinto parte de mim morrer cada vez que se recusam agir como se partilhassem o mesmo sangue que eu... sinto cada vez que não agem... eles não agem quase nunca e eu sofro todas as vezes.
Mas eu sinto que estou fisicamente presente mas ausente de mim, sinto que tenho um "volto já" permanente que ficou esquecido... mas eu sinto que não sinto saudade, eu sinto que não sinto vontade, eu sinto que não sinto a vida.
E apesar de tanto sentir... "és insensível e arrogante".
Saibam que até em tudo o que eu não sinto, eu sinto a dor de não o sentir.
Saibam que cada pedra atirada, mesmo que não me atinja, eu sinto atingir.
Saibam que cada vez que pronunciam o meu nome para me rebaixar, o vosso gradualmente perde significado, cada vez que me apontam para humilhar, o vosso ser despedaça-se e, parte de vós, parte de vós, cada vez que dizem não se importar, a vossa língua perde a possibilidade de provar a felicidade (quem não se importa, nem o diz porque não o pensa).
Saibam que cada vez que se usarem para pronunciar algo negativo sobre algo ou alguém, perdem parte da vossa identidade, tempo e propósito de vida.
Chamam-me insensível, mas eu senti e não me esqueci.
Chamam por mim, querem apoderar-se de mim, mas graças a vós, eu sou "insensível", cada vez menos sinto os chamamentos inúteis e maliciosos. Chamam por mim, mas eu sou "arrogante", aprendi a ignorar o que não carrega bondade. Chamam-me "mentirosa", dizem que "tento demasiado", aprendi a não ficar na sombra de árvores queimadas, mais vale tentar do que não fazer nada. Chamam por mim, eu ignoro a chamada.
Independentemente de tudo, obrigada.
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