Solta o destino

Prende o meu nome nos teus lábios, enrola-o e guarda-o. 

Falei de ti tantas vezes sem vergonha, mas hoje eu receio ter o teu nome preso nos meus lábios, eu quero cuspi-lo, mas, ao mesmo tempo, continuar a saboreá-lo. Porque é que me prendo tanto ao que sinto por ti? Segundo raciocínio, eu nunca serei pronunciada por ti, nós nunca seremos um par, eu sou ímpar e tu fazes par com outra pessoa, com uma pessoa melhor, mais feliz, mais bonita, mais inteligente, uma pessoa mais em tudo que eu. Porque é que eu quero consertar a tua dor quando te magoam? Porque te quero ter, proteger-te e fazer-te feliz? Não sei porquê, talvez nunca desvende estas questões, mas não ter respostas deixa-me esperançosa pela réstia de possibilidade que sempre sobrou. Se isto fosse apenas uma ilusão, eu acordava, mas tu fugiste dos meus sonhos e fizeste parte da minha realidade. Eu já estou acordada e ver-te, não me deixa dormir descansada, estou presa à possibilidade nunca desencadeada, não saberia nunca como dizer-te, nunca o vou fazer. Repouso na esperança do porquê estar guardado em ti, repouso e oiço enquanto te ris, não desisto porque o porquê podes ser tu que nunca te esqueceste de mim, o porquê pode ser que tu nunca largaste aquele fio a que chamam destino, aquele fio a que chamam apego, aquele fio a que chamam amor.
Solta o fio se não me queres pronunciar, desata este laço se não o queres enfeitar, solta-me, livra-me de ti, liberta-me... por mais que eu queira, eu sempre tive consciência que não sou o teu padrão, nunca realmente acreditei que nós poderia acontecer. Não faças nós por curiosidade, não me atrapalhes mais, por favor, eu preciso de amar, mas amar alguém que me queira, não alguém que simplesmente me veja.

Solta o meu nome dos teus lábios, cospe-o e desamarra-o.

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