É incrivelmente infeliz a forma como sou capaz de evitar a vida, por escolha ou inconscientemente.
E consegui, de facto, evitá-la muito bem durante estes últimos meses. Os sinais estavam lá, eu não estava bem no espaço que se associava a casa, não tinha tempo para viver nem onde trabalhava nem onde vivia, ou dormia.
Desde que tive a oportunidade de viver autenticamente, nunca mais me consegui contentar com o medíocre ou a falta de vivências e experiências. Sentia há meses que me estava a sabotar, a trair as minhas vontades e bem estar. Não me estava a fazer bem, e eu sabia, eu sentia-o. Na mente, na saúde.
Comecei a beber café como bebia água, não descansava bem, tinha-me confinado a esta rotina de morto-vivo.
Adiei esta decisão por medo que a solidão fosse ainda mais sufocante se fosse viver por minha conta, sem ter nenhuma rede de segurança por perto naquela cidade.
Mas a cada dia que passava, as discussões em casa tornavam-se cada vez mais ásperas, eu estava esgotada, cinzenta. E cedi, de vez.
Vou deixar esta casa, esperando marcar esta como a última vez que aqui vivi.
Estou quase a ir embora.

A semana passada recebi uma mensagem, alguém se tinha lembrado de mim para fazer um trabalho.
Só hoje percebi como me estava a privar de que oportunidades brindassem o meu caminho.
Esta surgiu porque permiti cedi à marei, e decidi adoptar um novo espaço na minha vida, um que me trará tempo para viver, mesmo.

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