ouvi o silêncio

Já ouvi o silêncio.
Já o ouvi nas mágoas, na saudade, nas lágrimas que se prendem nas pestanas.
Na dor de se ter alguém, mas não a ter presente. No ressentimento, no arrependimento, no amargo das lágrimas que escaparam até aos lábios.
Juro que ouvi o silêncio, quando a ignorância me cumprimentou, passou-me pelo ombro, me olhou com desdém, e se foi. Ouvi-o quando recebi uma prenda no natal à porta de minha casa, e a pessoa foi embora, e nunca mais entrou na minha casa, nem na minha vida. Acho que foi, sem ser, sem querer, uma despedida. E eu nunca disse adeus.
Sinto que dói mais não saber se perdemos alguém, não saber se vai voltar, do que perder de vez. Porque se alguém ainda cá estiver, iremos sempre esperar que volte.
Tenho medo de um altar vazio, de um caixão vazio de amor. Tenho medo da vida, que nunca me prove que é possível amar completamente, sem medo que alguém vá embora por ser quem sou.
Fiz parte de histórias tristes, gostava de um dia ter um livro pesado de felicidades oara contar.

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