As distâncias na proximidade
Em retrospetiva, a distância fez-se sempre presente na minha vida.
Inicialmente a familiar, a emocional e a que depois se transferiu à pessoal.
A distância de ter pessoas por perto mas não sentir aconchego.
Depois a distância entre a máscara que vestia para o mundo e o que por trás estava, mesmo não sendo bonita, escondia todas as assombrações que me confrontavam assim que estava sozinha. Não me conseguia fazer bem, feliz.
Até que se transferiu à desconexão do que sou e do que sinto. Se toda a minha vida fui triste, me senti sozinha, rotulada amarga... quem sou eu agora?
Nas ironias da vida, tive finalmente a oportunidade de pisar um palco onde tudo podia acontecer, e onde quase tudo aconteceu. Fui feliz durante quase um ano. Mas depois tive de ir embora, voltar ao lugar onde tudo começou, onde fui tudo o que não queria ser. E onde todas as amizades que tinha, não estavam.
Aí conheci a distância física. Senti o que é ter amigos mas não os ter por perto. Passei a tirar férias para estar com amigos. Nos dias de semana não os tenho a não ser virtualmente, estou sujeita à proximidade que as palavras permitem. Sei que não posso depender delas, que tenho de criar o cenário aqui.
Tem sido difícil, e tenho verdadeiramente tentado, mas o meu redor tem-me desiludido. Talvez não tenham espaço para mais alguém, talvez não lhes faça falta, ou talvez, como diriam os meus demónios, simplesmente não gostem de mim.
O meu trajeto é simples, de A a B, e por vezes tenho alíneas. Este percurso não me dá espaço para sentir sozinha pois a) passo a maior parte do dia a trabalhar, e b) estou distante até de mim, distante o suficiente da emoção para que não me deixe ruir.
Mas tenho ouvido fragmentos a cair das paredes, e o mar já não está claro, o outono chegou, e o pouco calor sumiu de vez. Receio a tempestade, receio o choque das marés.
Inicialmente a familiar, a emocional e a que depois se transferiu à pessoal.
A distância de ter pessoas por perto mas não sentir aconchego.
Depois a distância entre a máscara que vestia para o mundo e o que por trás estava, mesmo não sendo bonita, escondia todas as assombrações que me confrontavam assim que estava sozinha. Não me conseguia fazer bem, feliz.
Até que se transferiu à desconexão do que sou e do que sinto. Se toda a minha vida fui triste, me senti sozinha, rotulada amarga... quem sou eu agora?
Nas ironias da vida, tive finalmente a oportunidade de pisar um palco onde tudo podia acontecer, e onde quase tudo aconteceu. Fui feliz durante quase um ano. Mas depois tive de ir embora, voltar ao lugar onde tudo começou, onde fui tudo o que não queria ser. E onde todas as amizades que tinha, não estavam.
Aí conheci a distância física. Senti o que é ter amigos mas não os ter por perto. Passei a tirar férias para estar com amigos. Nos dias de semana não os tenho a não ser virtualmente, estou sujeita à proximidade que as palavras permitem. Sei que não posso depender delas, que tenho de criar o cenário aqui.
Tem sido difícil, e tenho verdadeiramente tentado, mas o meu redor tem-me desiludido. Talvez não tenham espaço para mais alguém, talvez não lhes faça falta, ou talvez, como diriam os meus demónios, simplesmente não gostem de mim.
O meu trajeto é simples, de A a B, e por vezes tenho alíneas. Este percurso não me dá espaço para sentir sozinha pois a) passo a maior parte do dia a trabalhar, e b) estou distante até de mim, distante o suficiente da emoção para que não me deixe ruir.
Mas tenho ouvido fragmentos a cair das paredes, e o mar já não está claro, o outono chegou, e o pouco calor sumiu de vez. Receio a tempestade, receio o choque das marés.
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