Há muitas portas bonitas por aí, que guardam lugares ainda mais deslumbrantes que a fachada. Muitas dessas, em que falho ao crer que não sou digna de entrar.
As crenças são uma força avassaladora, que nos sustêm, impulsionam ou destroem. Na grande maioria das vezes, a minha falha foi a falta da crença mais básica que estabelece as fundações para tudo o resto na vida; de que sou alguém capaz. Capaz de confiar em mim, capaz de fazer pelo que quero, pelo meu bem e por quem bem me quer.
Há portas que conhecemos tão bem que até às escuras as conseguimos destrancar. Às vezes a rotina dá lugar ao comum, e torna aparentemente banal que não estar bem ali é normal desde que se esteja num lugar. É a rasteira que nos entrelaçada no caminho que nos corrói, na casa que não nos pertence por falta de espaço para evoluir, espaço para um futuro, espaço para crescer num solo sem químicos.
Tenho de reprogramar um sistema que funcionou na frequência errada durante demasiado tempo, e primeiro vou ter de fingir que acredito até acreditar mesmo que sou capaz porque se sobrevivi a caminhar entre portas às escuras também sou capaz de entrar nas portas que me esperam abertas.
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