Acordar e Mudar de Vaso

Estas últimas manhãs tenho acordado mais cedo que o normal, e a luz do dia tem-me recebido como um abraço.

Atravessa pelas cortinas brancas recém estreadas, leve e clara, reflete as portadas ou os eixos dos vidros. Manhãs que não ansiava ver, agora fazem-me antecipar como será o próximo acordar. Tem sido com paz, e um sentido de arte natural. Como se soubessem o quanto preciso dessa magia simples, desse abraço, dessas obras que se refletem quarto a dentro. Que me convidam a sair, a renovar, a olhar de novo, para um novo. Talvez saibam que as paredes ainda não têm quadros, talvez saibam que estou presa a uma moldura que não me serve, muito menos para me fechar cá dentro. A arte vem de fora, mas a luz vem de dentro. Talvez saibam que alguém me iludiu de noite e desiludiu os dias, e por isso me relembrem que devo viver debaixo da luz do céu acesa. De noite até se podem revelar certos esconderijos no embalo do silêncio e penumbra, mas há verdade mais transparente e valiosa do que aquela que se revela a céu aberto? Sabendo que não há lugares sem visibilidade onde a esconder.

Nunca sabia sequer ser possível encontrar aconchego na gratidão. Mas foi o que me deu espaço para respirar, depois de semanas sufocantes. E percebi que este quarto que estou a redecorar, não é mais que um espelho do estilo de realidade que quero para mim. O mais simples, é o que me tem feito feliz. Algumas dessas coisas:

Decorar o meu quarto de novo, ver o ambiente que imaginei tornar-se real;

O sol em céu limpo de manhã;

Mudar as plantas para vasos maiores.

Esta última alegria tão simples, conectei-a hoje com a vida. Se mudamos as plantas para vasos maiores para crescerem, porque nos constrangemos em espaços onde não há lugar para sermos felizes? Porque não deitamos fora o que está a mais para termos só o que mais vale? Porque tem de ser sempre mais, e mais? Porque não menos? Tirar mais, para ter menos, para ter mais espaço para sentirmos o valor de cada qual e cada quê ao seu pormenor.

Então, que se faça este exercício de forma bem simplória. Tu és uma planta, e apercebes-te que não estás a crescer. Não te falta água, nem luz. O vaso onde estás, não tem espaço para expandires as tuas raízes, então não crescem novas folhas. Ficas no mesmo vaso? Ou mudas para um novo onde possas crescer?

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