Misto de istos com os outros
É apenas o meu segundo ano de me relacionar com o mundo, os nervos roubaram-me uma noite e quase todos os dias, não sei de onde veio a força para quebrar laços venenosos, não sei se não consigo chamar-lhe coragem por não o ter sido ou por não acreditar que sou capaz. Depois de liberta, caíram baldes de humilhação e a solidão amadoreceu, tive muitas vezes de pôr o orgulho de parte para perguntar se podia ter alguém como companhia, até que fui incluída, mas nunca sentido que pertencia totalmente, mas o suficiente para arriscar viver agora memórias e arrependimentos. O problema é que começo com impulso mas desvanece e, mais uma vez, trouxe toda a minha coragem inconsciente para viver num ambiente totalmente desconhecido, resultou, mas agora, está tão confuso e desencorajador, é injusto o que eu sinto afetar como os outros lidam comigo, é injusto que tenho de manter-me extrovertida e sorridente para poder ser considerada. Não é fácil, não é, especialmente que tenho sentimentos a ferver que nunca se expressam, que apenas me queimam, a minha visão cada vez menos clara e eu cada vez a sentir-me mais bizarra e toda esta incerteza e as minhas inseguranças ganham força quando se esquecem de me convidar ou quando não ouvem o que digo quando já o disse pela terceira vez, quando me tento interceptar e não ouvem, ou quando ouvem e mostram-se completamente apáticos, quando estou presente pareço-lhes indiferente, quando reajo isolando-me, notam e tentam alcançar-me. Há tanto e tão pouco e eu sinto-me cada vez mais como nada, tudo me afeta, porém estou estagnada, vejo todo o meu brilho e impulso morrer, as cinzas estão a ofuscar-me neste momento ainda, cada parte de mim que parte, deixa-me mais cega a tudo o que me rodeia. A dor que não quebra o ritmo, que não cospe as lágrimas, é pior do que a incontrolável. Tenho cravada uma espada, que sou eu, acho que se a tentar tirar, morro, se não a tiro, não irei viver consciente nunca. Desculpem se pareço má, apenas estou desconfortável, com o que sou, com o que penso, com o que não consigo ser e se me isolo é porque à mínima mágoa, eu fujo, eu corro e já não sei como resolver este misto de istos, se fico - nada muda, se vou embora - piora. Minto se escrever 'não sinto' e se afirmar que 'sim', estou entre acordada e a dormir e o que há no meio? O não sei e o não presencio.
Comentários
Enviar um comentário