A todos os sonhos que nunca foram mais que isso
Não encontro palavras, não chegam até ao que quero descrever, porque não sei o que quero. Estagnei sem ter alcançado algo que me faça sentir para além do nada, ansiei a vida adulta e um curso que me entusiasmou ao ponto de me sentir feliz, tenho parte disso, não o sinto. Ontem, enquanto estava deitada a ponderar sobre mim, cheguei à conclusão que não tenho ambições ou sonhos e preocupa-me, porque não é algo que se escolhe ou cria, uma paixão não é calculada, é descoberta e desperta em nós a vontade de a ter, de a viver, sem isso, sou mas não sinto nada, não sinto pelo que faço. Faço porque tem de ser, por ser responsabilidade, por ter investido dinheiro nisto, irei até ao fim. Eu nunca tive um grande sonho, um talento, uma grande paixão, acho que foi por isso que nunca encontrei a ânsia de viver, sempre foram pequenas coisas de momento. Nem quando era criança, quando me perguntavam o queria ser quando 'fosse grande' eu dava a resposta de pintora, porque era o que esperavam de mim por desenhar muito, mas não era a resposta que se sentia como verdade, porém não tinha outra a dar, não sabia. Segui artes no secundário porque os testes psicotécnicos indicaram isso, na altura, quando cheguei à conclusão dessa escola, passei uma boa semana, alegre e esperançosa pelo próximo dia, até que desvaneceu. Na minha memória, entre esse momento e o começo do secundário, existe uma lacuna, não me lembro o que se passou, já só me lembro de estar no curso e deparar-me com a insegurança de não desenhar tão bem assim, deparava-me a atrofiar com tudo o que se relacionava com artes, não o fazia simplesmente como antes, como quando era criança e desenha simplesmente porque me apetecia ou quando escrevia ou tocava no piano electrónico por brincadeira, corriam muitos pensamentos de incapacidade perante o trabalho que teria de fazer. Entretanto, descobri uma área que me interessou para seguir mais tarde, também me fez sentir algo mais que nada, curiosidade e entusiasmo, por ir sair de casa e livrar-me dos conflitos externos e acreditava que iria também resolver o meu problema em aplicar-me no que fazia ou tinha de fazer, ser independente, conhecer novas pessoas, a típica ilusão de tudo bom. Isso desvaneceu e acabei o secundário com ainda menos vontade de fazer algo do que quando comecei, desvaneceu até praticamente nula de tudo o que ansiara, a faculdade ou o viver sozinha. E agora, estou aqui e questiono-me vezes repetidas o porquê e se vale a pena e estarei eu apenas iludida com insegurança, a verdade, é que nunca tive certeza de nada e neste momento, o que mais quero é estar certa de algo, um gosto, uma vontade, um sonho, algo que me faça acordar deste transe apático e insensível, que me rasgue todas as roupas velhas, me dispa de tudo o que alguma vez me fez sofrer, permitindo-me assim finalmente investir-me de espírito e corpo numa direção.
Quero encontrar-vos, por mais perdidos que estejam, quero tornar-vos realidade e prometo fazê-lo assim que souber onde vos perdi. Apesar de tudo ou de nada, ainda estou aqui e apesar de não sentir nada, não desisti, apenas posso agarrar-me à esperança de que isso significa que há algo aí para mim, que há algo em mim por descobrir.
Quero encontrar-vos, por mais perdidos que estejam, quero tornar-vos realidade e prometo fazê-lo assim que souber onde vos perdi. Apesar de tudo ou de nada, ainda estou aqui e apesar de não sentir nada, não desisti, apenas posso agarrar-me à esperança de que isso significa que há algo aí para mim, que há algo em mim por descobrir.
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