Deixei de me lembrar, mas ainda espero, manifesto em silêncio discreto que quis um momento muito mais prolongado, por temporário que fosse, mais um dia, mais uma noite... estaria disposta a aceitar a condição de uma despedida fria em troca de mais trocas de olhares, marcas aconchegantes, palavras honestas, audíveis no espaço mais ruidoso, quando me tiraste do chão quis ficar mais tempo a voar, mas não fomos feitos para isso e apenas tive tempo para te deixar de mim sorrisos e o tempo assim o quis. Os planos que sugeriste, o que entre risos planeámos, sem garantias mas com esperança num futuro, esperava ter ficado na capital mas uma minúscula quis levar-me daí, não era para ser, tenho de me relembrar e forçar pensar assim pois parecia e ainda parece que era isso o certo e é uma linha que nunca saberei onde me iria deixar, que teria paragem perto de ti, a carruagem seria a mesma, mas... o comboio que apanhei veio para bem longe e aí ficaste e suponho que esqueceste ou te arrependeste de soprares as minhas asas pois nada disseste, sem saberes que te dei o que quase nunca ninguém ou ninguém mesmo viu, deixei-te ver o melhor de mim, deixei-me ser autêntica... talvez o meu melhor tenha sido pouco para ti, o teu neutro foi o melhor que tive, não me quero admitir chateada, mas o amargo toma conta de mim, porque nos cruzámos mas o caminho não quis que fôssemos mais que horas. Tenho saudades e ambiciono vontades, de nada vale porque este nada nunca foi mais que isso, ainda tenho o teu sorriso marcado. Foi quase, mas foi só isso.

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