Correntes que impedem
Todos têm algo que até o presente nunca curaram, momentos que nos marcariam para sempre. Aquela marca que nos estragou "para sempre", para sempre é inexistente, mas não enfrentar os demónios que nos atacaram a certa altura faz sentir-nos o peso de palavras que nem são realistas. Na maioria dos dias, fingimos que não os ouvimos chamar por nós, mas não se evita alimentá-los, em cada momento de fraqueza, cada vez que sentimos que perdemos, eles ganham mais força e roubam a que de nós resta. Porque nos dispomos a ser escravos disto? Porque sabemos que vai custar enfrentar tudo isso e superar, a lógica é tão simples, conseguimos citar todos os passos para superar esses entraves, no entanto, ao tentar aplicá-la, torna-nos crianças outra vez, vemos um monstro gigante à nossa frente, olhamos para o lado oposto, sorrimos enquanto os pulsos se apertam nervosos e contornamos o monstro até nos deparamos com outro... o problema, é que quando o fazemos, eles não ficam para trás, esquecidos, seguem o nosso rasto e assim a nossa bagagem se torna pesada e a nossa força fraqueja até ser fraca e atingimos a altura em que não percebemos como deixámos a nossa vida tornar-se um pequeno inferno. Queremos apontar razões, mas são tantas, não encontramos sentido para aquilo, porque não é apenas uma resposta.
Esta corrente leva-nos mas temos de remar por nós também, não podemos ser escravos do ritmo que circula à nossa volta, temos de encontrar o nosso passo... temos de nos ancorar na força e sermos, sermos tudo o que somos.
Esta corrente leva-nos mas temos de remar por nós também, não podemos ser escravos do ritmo que circula à nossa volta, temos de encontrar o nosso passo... temos de nos ancorar na força e sermos, sermos tudo o que somos.
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