O que gosto mais numa saída à noite é alcançar o estado desejado de beber, dançar sem querer saber de quem olha e do ridículo que se faça parecer. O pior é quando esse estado se envolve no fumo do tabaco e se perde por aí, entra o cansaço, fico enjoada do ambiente e esqueço-me que ainda falta mais uma fase para vir, aquela em que sou eu, honesta, sem aditivos, sem sangue corrompido, e há sempre alguém comigo que me fala e desta vez disse-me que vou conhecer alguém para sempre, mas não sei se estou pronta para esperar, não percebo como essa fase passa tão rápido, por ser a melhor talvez, leva-me a falar da vida, sem máscara, quero sempre abraçar quem fica a meu lado, porque sim, porque somos duas pessoas que estão no mesmo, deixaram a máscara no passeio e deixaram ver as olheiras que trazem de forçar sorrisos, forçar viver, admitiram que custa não ter alguém seguro, que nos abrace como nos queremos amar e ambas sabemos que temos de confiar no que somos, na vida que temos, mas concluimos que mesmo assim, não cobre a falta de afecto. Uma noite de diversão não afecta a realidade, acaba sempre por ser um reflexo do dia, uma transição, uma continuação, um antes do depois, que rasteja na pele até ser coberta de sol e lençóis. Esse alguém andou demais pois não o encontrei até hoje, não mais me deposito em destino, sou um manto de ilusões por atirar ao chão, por se quebrar, me cortar nelas e sangrar tudo o que não vai acontecer, e esse, quero que chegue, mas não consigo acreditar que alguém me ame ferida, cansada, esquecida.

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