Sem corda

Ultimamente oiço a tua voz, e penso estar a ouvir ecos do fim. Oiço essa voz e é a que assumo como real. Se a tua voz me soa desesperada, eu acredito não ser capaz; de olhar para outro lado, e viver.
Eu não sei se te cale de vez ou te ensine a falar como devias já saber.

As luzes acendem-se, os palcos enchem-se de ritmo, e sinto que não pertenço ali, nem aqui, nem sequer a mim.
Esta desconexão não é liberdade, é uma prisão invisível.
Se falta propósito, falta-me razão. Se tenho razões, mas não ressoam no epicentro, não sei que mais faça para sentir, nem sei se tente, sinto que só falho.

Lembro-me de rir até às lágrimas, do teu abraço apertado, das noites cheias de eco, da vista alta sobre aquela cidade,  do 'sim' ser corajoso, os sorrisos mais rasgados, e os olhares mais partilhados.

Sabes? Tenho saudades e não digo. Porque estão longe de mim, e por perto, nem eu estou de mim.
Estou mal, e disfarço com cansaço. Mas acreditam porque eu caminho, e continuo.

Mas eu hesito, largo a corda antes de chegar ao cimo.

E pergunto-me, porque tenho medo de saltar se já vivo sem nada que me segure?

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