Hoje pensei nisto com mais calma e decidi partilhá-lo porque pode chegar a alguém a quem faça sentido. Porque foi algo em que falhei e gradualmente estou a corrigir; Ignorar o que se gosta de fazer e como o que nos rodeia pode esconder ou enaltecer isso. Desde que tive uma máquina fotográfica comigo quis capturar algo que ficasse comigo para sempre e fotografava tudo o que queria, sem pensar no resultado ou na importância que podia vir a ter, apenas porque gostava. Só assim consegui fazer da nostalgia uma qualidade. Até uma altura em que deixei de fotografar, outras confusões sobrepuseram-se, perdi-me, e esqueci-me. Há quem torne todos os gostos em sonhos, o que não é o meu caso, então ao não ter nada à minha volta que me impulsionasse para isso, deixei. Foi preciso anos mais tarde, estar num âmbito que me desse a hipótese de o fazer, mas não foi um reencontro imediato, foi preciso deixar de lado o medo e as comparações e deixar-me gostar e fazê-lo como queria. Tive dois âmbitos em que o fazer, num odiei, noutro fez-me reencontrar esse gosto. Enalteço por isso também a importância de pessoas que nos ensinem em vez de criticarem baseado apenas em questões de gosto pessoal. No meio certo, realizei um projecto no qual tenho orgulho. É um sonho para vida? Não sei, ainda não conheci nenhum. Mas se é das poucas coisas que me faz feliz, agora é a minha responsabilidade impulsioná-lo e não o deixar adormecer.

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