Lancei um livro?

Atirei-o aí para o meio do caos virtual.
Por mais que me segure ao passado enquanto mau hábito, é algo que quero largar e estou cada vez mais perto de não ter hipótese de escolha. Este livro não foi escrito nem de seguida, nem de propósito. Surgiu num âmbito académico porque tive a liberdade de o fazer. Então peguei em textos antigos, reescrevi, escrevi e entreguei-o para avalição. Aquilo que não conto a ninguém; entregue a um professor, num âmbito formal. Agora que o leio, são para aí umas quarenta páginas de lamentações, falta de auto-estima e festa da peninha.
Tem uma sequência básica, responde a perguntas que ninguém fez, apenas diz e diz sobre coisas que me fizeram quem sou e como sou agora.
Tenho sentimentos que se disputam em relação a este livro, azeda-me o paladar e ao mesmo tempo quero abraçá-lo, despedir-me. Tenho algures um eco em mim que quis contar tudo aquilo a alguém, ou a ninguém. Não sei porquê tinha um sentimento de dívida com algo ou alguém, como se tivesse mesmo de contar. Queria dizer tudo sem dizer literalmente nada, apenas despejar tudo algures e enfrentá-lo como algo que já não está comigo.
Esta responsabilidade já não é minha, nem de ninguém, agora é livre. Apenas quis livrar-me dele, libertá-lo de mim.

INÓCUA

Disponível para leitura.

Começo agora a escrever em folhas novas.


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