Vou

Sabes onde não me sinto? Aqui.
E sabes o que vou fazer? Vou embora. Mesmo.

Não estou em mim ou não caibo cá dentro com toda a bagagem que insisto em carregar; o passado, os remorsos, as mágoas, as palavras, as memórias... o meu impasse é ter de deixar grande parte disso para trás, a minha proteção. Que aliás, protege-me do mundo exterior e do alcance autêntico dos outros mas faz ricochete das minhas inseguranças e pesadelos. Agora não tenho hipótese. Estou nervosa. As pessoas desejam-me sorte, desejam-me boa viagem, abraçam-me, sorriem de uma forma brilhante. E eu estou nervosa e ansiosa. Penso nos que não se despediram de mim. Penso nos que não sabem que vou embora, naqueles que não vão sentir a minha falta. E penso naqueles que me vão fazer chorar. Ainda estou aqui mas nunca estive realmente. Por isso já não devia ter medo, acho que não tenho realmente. Apenas receio que me abstraia mais do que já estou.
Preciso de um foco e talvez este seja aquele que eu preciso de conhecer. Algo em que me aplicar totalmente como eu, só eu, em mim.

Sabes? Apetece-me chorar. Mas mais que isso, apetece-me sorrir durante muito tempo.
Então vou.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Linha correspondente

Sê, É