Porque só sou eu quando nada se impõe?

Superei mais de meio dia fechada numa escola até ao fecho da oficina, fixada num ecrã durante a maioria desse tempo. Sem jantar, sem dormir o suficiente, isto depois de ter tido um mau estar no dia anterior, começar a ver mal, forte dor de cabeça e enjoo. Os meus olhos ardem, o meu cérebro deve estar em piloto automático, assim como a minha voz e o meu raciocínio. O meu corpo queixa-se, tanto quanto eu, requer que durma e muito, mas ainda me falta um amanhã, final. A névoa adensou, ainda espero que se evapore, mas numa semana como esta, este correr para lá e para casa, não ficando cá dentro, sendo uma mera passagem nos lugares a que chego, sem nunca ficar, ainda não expirei a saturação. Talvez entre por estes caminhos a invisibilidade que se atira para os meus olhos, para me ajudar a ultrapassar estes episódios, mas é um atrofio amargo não sentir a porra da minha presença, a minha própria pessoa. Não dei o melhor de mim, na lista de desculpas estão: não houve tempo, cansada, sem ideias, a máquina está lenta, o programa não funciona, não saiu como eu queria, não foi como idealizei, a mais justificável, não confio que seja capaz.
Amanhã volto a estar livre de responsabilidades, é assim que funciono melhor, quando nada me puxa para nenhum lado, é a altura em que descomprimo e consigo abrir as asas para tentar ser o que sou e descobrir mais.

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