Nas entorpecidas presenças, sinto-me mais perto da realidade ao fechar os olhos, ao tentar ver o que sinto em vez de sentir perante o que vejo. Aquele prato já não desejado, a ocasional chávena com café, o habitual gosto de estar fechada, já não cabem em mim. O mar evoca-me a estar perto dele, a água perto do toque, a brisa leve sobre a pele, embalam-me. Que martírio não poder sentir essas pequenas alegrias, não peço mais senão que sinta, que presencie. Neste semestre acho que tenho escrito demasiadas vezes as mesmas palavras, não encontro outras, estou perante o mesmo cenário ainda. Apenas sou mais eu quando estou livre de responsabilidade, de prazos, queria saber como estar assim descontraída mesmo estando com pilhas de algo para fazer. Quem corre por gosto não cansa, por isso quem não encontra o gosto, deterioriza-se lentamente.
Linha correspondente
Entre linhas soltas Entrelaçados De cores diferentes Realmente separados Se esta parede não cai Caio eu Se a luz não entra Apago-me Se a voz não me alcança Eu calo-me Isolo-me E canto Em tom médio Será que se ouve ao lado? Não como podia, Como temo ser ouvida, canto Até as cordas entalarem o som E as cordas não soam acordo vontade Quero que acordes agora Deixes de tentar reanimar memórias Que foram apenas um momento E o rasto que te deixaram foi temporário Então solta a linha, Pois está solta do outro lado Só por um momento foi mútuo, Agora separado, Agora nada, Nada. Se o sol não atravessa a janela Sai Se a parede separa a realidade Sai Se não te falam Fala Diz Se cantar te magoa Canta como podes No tom que devias Não temas Não temas não obter resposta Um dia terás E pode não ser da mesma linha Ou na mesma linha, Mas irá corresponder, Responde ao que tu sentes Não esperes ser remetente
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