O tempo ficou suspenso, algures. Tenho os pés assentes na terra, contra a minha vontade. A névoa paira na mesma, chamá-la de proteção é crucificar-me mais ainda. Doeu na mesma e ainda dói. Os dias não acabam, parece sempre o mesmo. Rir não tem sabor, comer não sacia. Não foi alguém que bateu à porta desta casa, foi esta casa que o levou para outra porta. Talvez não tenha chorado mais porque chorei outras vezes e tanto antes daquele dia. Para mim, não foi o começo do verão, não foi o solistício, nem me lembrei que era isso, foi o teu último dia. Já passaram dois, parece-me o mesmo. Vai ficar para sempre a voz em mim, a dizer-me que eu podia tê-lo aguentado mais tempo, mais o verão pelo menos e depois gritam os racionais que foi para ele não sofrer mais e ainda a clínica que diz que é contra a política deles, quando se podia fazer mais. Nem sei se o que fiz foi despedir-me de ti, acho que já nem me vias, nem sei se pressentiste o que te fizeram, desculpa, desculpa, desculpa...
Nunca senti a casa tão vazia.
Nunca senti a casa tão vazia.
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