Costumava criar os meus sonhos de forma a serem paralelos aos de quem caminhava comigo. Quando me afastei percebi que não era os meus sonhos que carregava, mas reflexos de ambições que não me pertenciam. Desde que me lembro, sempre tive esse hábito automático, de carregar a bagagem dos outros. Tanta vez carreguei, que quando a devolvi, me deparei perdida, confusa, com a minha bagagem vazia, porém tão pesada de não ter nada. Acho que carrego os outros para não sentir o peso de carregar a minha consciência nula.
Já nem consigo escolher, absorvo a dor, a mágoa e choro outras lágrimas. Se ao menos absorvesse o sol em vez do nevoeiro que todos carregam.
Já nem consigo escolher, absorvo a dor, a mágoa e choro outras lágrimas. Se ao menos absorvesse o sol em vez do nevoeiro que todos carregam.
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