Mas
Algo descarrilou e todas as carruagens foram saíndo do caminho. O sangue há muito que não o sinto positivo. Faleço a cada tentativa, por mais que ingira, atira-me para o resto de chão. Caiem-me mais que fios, têm caído todas as linhas interligadas de mão cheia. Está tudo tão desfocado, cinzento, afastado. Quanto mais intenso, mais me perco, mais me esqueço. E os sentimentos passam, marcam-me e só me deixam os estilhaços cravados. E os raios de luz? Também os tive, mas e essas réstias? Parece que foi tudo cortado, a intensidade, a consciência. Que imunidade é esta à realidade? Que oculta a percepção, me atira possibilidades, pessoas, momentos, mas não me deixa ser preenchida de tudo isso. Desde quando é que os sonhos parecem mais reais do que a própria realidade?
O que detonou a estabilidade, a saúde, a realidade?
Precisamente, qual foi o passo que errei? Porque não sei como voltar a sentir que sou e não sentir a minha existência está a desvanecer tudo o que me rodeia, tudo o que me caracteriza. Para onde foi o contraste, a saturação, a estrutura, a definição?
Acho que me esqueci de torneiras abertas, mas quais, quando e onde estão, não faço ideia.
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