Meu pequeno brilho

Às vezes sinto-o, como uma discreta comichão, que não incomoda. Ainda estou cá, mas é tão fugaz, tão incorpóreo. É como beber água e nunca preencher a sede. Ainda está cá, o pequeno brilho, no meu abrigo, mas na sua maioria, adormecido. O que o acorda são as alterações dos batimentos, o álcool na corrente, a ilusão de que é reconhecido. Onde estás na maioria dos meus dias? Em coma, adormecido. És pequeno porque eu não te sinto, mas lembro-me de quando foste tão massivo, quando atraíste abraços nunca esquecidos. Ainda tenho roupa com os teus vincos, o teu cheiro característico gravado nas gavetas do meu roupeiro antigo, as fotos que são prova do que radiavas à tua volta. É fraqueza achar que alguém me pode ensinar a ter-te sempre comigo? No meu ombro, meu amigo. Já dei tanto aos outros, já os mudei, e está na hora de calhar-me alguém assim, quase assim também. Acho que o vi, não digas a ninguém, mas não sei se me viu da mesma maneira também. Ele viu um pouco de ti, na sombra que não me cobriu, tenho medo que tenha percebido o que possas fazer por ele e ele nada possa por mim.
Vem ilustrar o meu caminho.


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