Quando cuspo palavras em fogo e a incitar o caos, não estou intencionalmente a criar uma tempestade. É apenas um acumular de palavras, segredos, lágrimas, desilusões. É que há tanto injusto que ainda paira, tanto errado, tanto que me revolta e algo me suprime e me cala, me pára. Não me conformo, mas guardo, e acumula-se, por vezes tanto, que nem se despeja em palavras. Marcaram-me, mais do que os marquei. E isso é demasiado pesado, são marcas que não se aliviam. É suposto ser equilibrado, o quanto te marcam e o quanto és marcado. É cruel, é sina? Não sei. Faltam-me abraços. Faltam-me pedidos de desculpas, tantos. Pedidos que sei que nunca vou receber e ter de perdoar por mim só é amargo. Sou eu a ter de aceitar que eles erraram, eu a ter de batalhar o rancôr, a vontade de lhes gritar qual foi a puta da essência que os fez assim, assim que nunca vão achar que o que fizeram foi errado. A minha essência está estilhaçada, está num farrapo, porque puxaram demasiado, de muitos lados. Sabem com quantas desculpas se fazem um pecado? Com as mesmas que não são perdoadas.
Vou deixar um dia tudo limpo? Espero. 
As palavras de desdém, os olhares de lado, os olhares desviados, sem nunca ser pertence algures.
Este ano ainda foram mais as vezes que não fui feliz, não era suposto ser assim.

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