Regressar a "casa casa"

Está tudo tão imóvel, o tempo parou, enquanto, ao olhar, não sentir que estou viva, nada faz diferença, nem a maior alegria, nem a maior tristeza. As noites transicionam para os dias, sem nunca quebrarem, hoje é como se fosse ainda início de 2015, desde algures por essa altura que estou presa ao mesmo sintoma. Sistematicamente, a mesma postura, o tentar mudar, não me muda. Ensinaram-me a curar, disseram que tenho um bom suporte e uma boa energia, quem me dera que me pudesse curar, nem ao curar os outros eu sinto que o fiz. Ao sonhar, sinto-me mais desperta do que acordada. Quem me explica isto?
Não, não me expliquem, ajudem-me. Digam-me concretamente, como é que eu desligo este sintoma da tomada, eu quero viver, eu quero viver. Pronto! Já disse, era isso que querias não era? Levar-me a este limite? Já cá estou, posso não saber o que quero, disto eu tenho a certeza, quero sentir a vida, pertencer-me. Vocês sabem, sabem ao tempo que estou assim, ao tempo que vos peço um pouco de consciência, um feixe, já me rendi às vossas direções, confio cegamente e tento não contrariar-vos. Já digo o que queriam fazer-me dizer, já quero a vida, não mais apatia, não mais fugas, não mais adormecer sem acordar. Devolvam-me.
Quem me rodeia, ouve-me lamuriar sem fim, quem me rodeou estranharia conhecer-me assim, há uns anos, não me ouviriam falar do que sinto, do que penso, atualmente, queixo-me sem controlo, as palavras saiem de mim sem autorização. Esses, se me rodeiam, ouvirão muitas vezes a expressão "casa casa". Em casa-casa, voltar a casa-casa. Essa casa-casa não é o que se supõe, cheguei a acreditar que sim, mas depois de vários regressos, percebi que ali não me encontrava, voltar a casa-casa, refere-se a voltar a mim, voltar de sabe-se-lá-onde para dentro do meu corpo, da minha mente, retomar a essência, voltar a tê-la.
Sabem bem o que o não-querer-saber causa no meu plano, não me façam ir por aí, aceito isto, aprendo, aprendi, não me arrastem para pior que isto (não imagino pior que ser nada), esse, revolta tudo tão silenciosamente, mas provoca um caos feroz.
Vocês, guias, guardas, que sempre aí estiveram, aqui, comigo, não me querem mal, eu sei, mas é cruel demais carregar por mais dias uma cena assim, eu aceito tudo o que sou, até já danço, descam-me para sentir o chão.

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