Presa na liberdade

Eu sinto a falta de ser alguém para alguém
Isto de pertencer a ninguém
Deixa-me livre demais
Esta liberdade
Trouxe dor atrás

Não é o corretor que corrige as falhas
Debaixo da base
Ainda tenho olheiras marcadas
Feridas na cara
Não me mascaro tanto assim
Mas há dias em que queria sair à rua
E não parecer o que sinto cá dentro

Saí de casa aos 17
Para fugir às humilhações constantes
Um sítio diferente
Não te cura
Mais te prende
Voltei
Ainda não encontrei o meu lugar
Não quero encontrar um lugar em alguém
Quero estar ao lado de alguém
Esta liberdade excessiva mantém-me refém
Enquanto vivo,
A máscara cai

Hoje ainda dói
Eu não sabia que chegava até agora,
Mas cheguei
Pensava ser fraca,
Errei
Dei o maior passo da minha vida?
- Dei.
Perdi o rumo da vida
Não o encontrei
Procurei, procuro ainda

Não é o casaco que tapa este ardor no peito
Quero gritar expelir esta dor
Nada feito
Quero escrever tudo o que sinto
Enviar cartas aos meus passados amores, desilusões de sangue,
Perdoar, eu tentei

Eu não sou santa
Não faço tudo bem
Lá porque não fumo,
Não quer dizer que não sufoque
E se não me drogo,
Não quer dizer que não me isole
E se não bebo até à escuridão
Não quer dizer que lá não estive
Sei de todos os cantos, becos e lapsos,
Entrelacei-me neles como abraços
E fui prisioneira disso.

Depois de noites a chorar
A almofada já nem secava
Desejei partir
Deixar de ser nada

Valeu a pena chegar aqui
Mas ainda há dias em que questiono a vida
Não vou amar alguém para justificar a minha existência (ferida)
Se o escudo é a minha melhor arma
Não foi por intenção,
Foi por medo de ferir mais o meu coração

Perdoa este frio
Cá dentro tenho fogo
Um dia ardeu tão intensamente
Que me deu a liberdade

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