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A luz irradiava tudo por baixo de si, iluminava cada folha, cada tronco, flor, outras prestes a serem, inevitavelmente, irradiou-me também. 

A vida sempre a tive, mas o brilho iluminava-me, relembrava-me que a tinha, que a tenho. Corri por campos, terrenos desconhecidos, desintegrada dos pensamentos existenciais, não pensei, apenas existi, ao correr, abraçava toda essa luz em mim e a natureza correspondeu. A chuva não surgiu, as nuvens não cobriram o tecto. Não era eu, eu estava a fazer parte de um conjunto, a sentir-me o universo, sentia-o em mim e eu parte dele. 
Tantos dias passo a questionar qual será o meu lugar, percebi que sempre estive no lugar a que pertencia, eu pertenço ao universo, todos nós temos um lugar lá, aqui, mas só se nos consciencializarmos que fazemos parte dele, é que sentimos que somos parte de algo. Talvez por isso, tantas pessoas passem tanto tempo à procura de um sítio a que pertencerem, por não se aperceberem que o lugar deles, o nosso lugar, é na mesma plateia, nas mesmas cadeiras, o nosso lugar é este onde estamos, a terra, o planeta, o chão que pisamos, as pessoas que conhecemos, os medos que enfrentamos, superamos, os risos que deixamos escapar, o ridículo de sermos alegres por motivos irracionais, o nosso lugar é a nossa vida. O nosso lugar é viver com a consciência e a prática de que podemos ser felizes, sermos.


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