A falta que faz
Visitei-a poucas vezes, cada vez que ali estive, eu sentia-me tão fora do meu conforto de uma maneira fantástica, em ideologias nunca pensei que houvessem realidades melhores para mim, aceitava a minha terra como aquela que fitava o mar sempre esperançosa, que no verão tinha um sol que iluminava praias, mas ficava sempre à margem, nunca partia para um destino que lhe concretizasse desejos. A ansiedade de chegar e o nervosismo de tomar caminho para a capital, ver caráteres diferentes, gentes mais independentes e diversas, uma energia inesgotável, um transporte para todo o lado, a confusão, as casas, a cultura, o momento esperado realizado. Aquela cidade está infiltrada de almas que se despediram da esperança dos seus lares, que vieram concretizar sonhos ou à procura deles, tem sempre alguém que sabe para onde queres ir, por onde tens de ir, é mais distante de casa, mais fria que casa, mas mais apaixonante que o lar. A falta que eu sinto de ir a Lisboa, de conhecer outra face de mim, de ser eu em Lisboa, aquela cidade em que vi relances de desejos, beijos e sonhos. Ela sussurra-me ao ouvido, arrepia o que eu sinto, trauteia aquela música que eu lá ouvi, ofusca-me com memórias que eu lá vivi, belisca-me com momentos que eu quero lá ter, eu quero lá estar, viver e estudar. Lisboa faz-me falta, falta-me Lisboa, falto eu em Lisboa, Lisboa, eu falto-te. Mesmo que este meu mar de casa me leve para mais longe de ti e eu não te faça falta, eu irei visitar-te quando puder, conhecer-te melhor, rir mais ti, amar em ti, vou visitar-te como visito parte da minha família, nas férias, e tirar fotografias contigo. A primeira vez que te visitei... era uma miúda que tinha acabado de subir um degrau no mundo das artes, hoje, estou quase a subir o último degrau desse conjunto de escadas, ainda não sei se o próximo degrau que vou subir será um dos teus, mas do topo desta escada, eu vejo o que passei em ti, quem conheci, o que senti e és tão rica de amor. Se eu falasse só de ti, ó cidade, és cultura e mar, mas não és só isso, és muito mais, és as minhas memórias felizes, és as pessoas de quem eu gosto, as que gostam de mim, és a comunidade, és o mar corajoso, és as vidas que vivem em ti. Quem me dera ser uma dessas vidas, sou uma mera visitante que por ti passou, embora já tenha visitado paisagens mais deslumbrantes, nenhuma me encantou como tu. Se eu deixar a minha casa, vou levar parte do teu mar de coragem comigo, fotografias em ti, saudades de quem está aí e de quem vai para aí, serás um farol, uma segunda casa, se eu me chatear com um mar que me rebaixa, sei que tenho o teu que me eleva. Ensinaste-me a viver com coragem, a perseguir vontades. Confessei-te: eu não me sinto em casa na minha própria casa, eu acho que sentiria uma casa em ti.
Obrigada por me deixares conhecer-te, fazes-me falta, um dia sufocamos a saudade, até quando pudermos, até breve, eu espero.
Lisboa faz-me falta
Falta-me Lisboa
Falto eu em Lisboa,
Lisboa, eu falto-te.
Obrigada por me deixares conhecer-te, fazes-me falta, um dia sufocamos a saudade, até quando pudermos, até breve, eu espero.
Lisboa faz-me falta
Falta-me Lisboa
Falto eu em Lisboa,
Lisboa, eu falto-te.
Comentários
Enviar um comentário