Calo-me em sussurros

Se me arrisco a perder a voz
E perdê-la por alguém que não chega para me ouvir
Aprendo que não irei soar este som junto de ouvidos de quem apenas quer adoçar a fala
Falo daqui, não ouvem, não querem
Quebrar distâncias para me fazer ouvir,
Tenho-o feito demais
A última lágrima de paciência ficou na garganta
E arranha, tanto

Eu perdi a voz audível à distância
Despedi-me da voz forçada para que me oiçam
Sobra-me apenas o sussurro
Que soará quando eu falar
Vou um dia despedir-me de quem não quis ouvir
De alguns, já parti

Ardor quente amargo que calo
Nesta voz que se cativa porque não a deixo falar
E quando falo, expando-a até se arriscar

Quando apenas voz pequena está ligada
Irá apenas comunicar quem quiser ouvir
Isso, roucamente aprendi

Sou esse vento que passa na hora errada
Que despenteia planos
Aborrece tantos,
Vou ser neblina ténue que refina os vidros dos carros
E deixá-la ser guiada, levada, para longe daqui
Que não ouvem, que não querem ouvir,
Não precisam de perceber,
Sussurro agora assim,
vou partir).

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