Entre linhas soltas Entrelaçados De cores diferentes Realmente separados Se esta parede não cai Caio eu Se a luz não entra Apago-me Se a voz não me alcança Eu calo-me Isolo-me E canto Em tom médio Será que se ouve ao lado? Não como podia, Como temo ser ouvida, canto Até as cordas entalarem o som E as cordas não soam acordo vontade Quero que acordes agora Deixes de tentar reanimar memórias Que foram apenas um momento E o rasto que te deixaram foi temporário Então solta a linha, Pois está solta do outro lado Só por um momento foi mútuo, Agora separado, Agora nada, Nada. Se o sol não atravessa a janela Sai Se a parede separa a realidade Sai Se não te falam Fala Diz Se cantar te magoa Canta como podes No tom que devias Não temas Não temas não obter resposta Um dia terás E pode não ser da mesma linha Ou na mesma linha, Mas irá corresponder, Responde ao que tu sentes Não esperes ser remetente
Recebi um convite para ir a um hotel no Porto. Convidada por alguém de quem já me esqueço mais do que me lembro. Ainda assim pergunto-me, porquê ele? E, mais ainda, porquê o Porto? Se os sonhos se baseiam nos detalhes que nos prendem, no que nos rodeia ou naquilo em que estamos constantemente a pensar, porque sonhei com elementos que não fazem parte da minha realidade em nenhuma dessas formas? Hesitei em aceitar, quando ainda não tínhamos conversado verdadeiramente. Mesmo em sonho, como em realidade, não chegámos a falar. E eu não cheguei a ir ao Porto.
Restaram as memórias melhores, que atacam o presente quando a guarda está de baixa para dizer o quanto melhor era o passado. São truques, truques do diabo! Daquela coisa que vive em nós e que se alimenta da nossa fraqueza, por isso é que temos de treinar o lado bom, o lado corajoso, estático e livre. Às vezes... naqueles dias em que nos deitámos tarde e acordámos cedo, em que estamos um pouco exaustos e arrependidos por termos desprezado o nosso descanso, essa coisa aproveita esse cansaço, aspira-o e cospe-o de volta para nós, mastigado e torturado, se não nos afirmarmos, se não nos suportarmos como seres autónomos e capazes de controlar quem somos, o que fazemos e como nos sentimos, essa coisa ruim, apanha-nos, mastiga-nos, come e até mata, se deixarmos...! Se deixarmos, as coisas dos outros seres atacam-nos também. Quantos diabos andam por aí? Ora, tantos quantos seres somos e quantos tantos mais criarmos! Por isso, atentem na fraqueza que vos tenta consumir, na pobreza de espírito q...
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