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O ciclo da inspiração

Todos os que (con)vivem com a criatividade, seja por gosto ou trabalho, já se depararam por certo com as diversas fases que fazem parte da construção deste caminho. Os primeiros passos em território desconhecido, as ferramentas nunca vistas na vida, os erros, as tentativas frustradas, o lidar com o ego a sussurrar para deitar tudo ao lixo e nunca mais tentar. A traiçoeira comparação, o mergulho pela busca de inspiração, o deslumbramento pelo que se encontra, a admiração pelo talento abundante que cohabita à nossa volta. A primeira vez que se sente a paixão a arder, a criação a derramar da fonte para o suporte, o impulso de continuar. E daí se estabelece um ciclo, onde nenhuma dessas fases desparecem, tornam-se cada vez mais um desafio em proporção com o desenvolvimento de cada capacidade. Quanto mais desvendamos a panorâmica, mais temos com o que lidar. Há outra fase muito bonita, quando o orgulho saudável se impõe ao ego, e partilhamos com o mundo o que criámos, e chega a alguém, que ...
Há muitas portas bonitas por aí, que guardam lugares ainda mais deslumbrantes que a fachada. Muitas dessas, em que falho ao crer que não sou digna de entrar. As crenças são uma força avassaladora, que nos sustêm, impulsionam ou destroem. Na grande maioria das vezes, a minha falha foi a falta da crença mais básica que estabelece as fundações para tudo o resto na vida; de que sou alguém capaz. Capaz de confiar em mim, capaz de fazer pelo que quero, pelo meu bem e por quem bem me quer. Há portas que conhecemos tão bem que até às escuras as conseguimos destrancar. Às vezes a rotina dá lugar ao comum, e torna aparentemente banal que não estar bem ali é normal desde que se esteja num lugar. É a rasteira que nos entrelaçada no caminho que nos corrói, na casa que não nos pertence por falta de espaço para evoluir, espaço para um futuro, espaço para crescer num solo sem químicos. Tenho de reprogramar um sistema que funcionou na frequência errada durante demasiado tempo, e primeiro vou ter de fin...
Enquanto o tempo escorre pelos dedos, pelos raios de sol que fogem das paredes, é fácil perder a noção do sentido de ser. Quando se vêem as mesmas paredes de dentro, as mesmas pessoas da semana, quando o círculo é restrito e o cerco aperta, é fácil que toda a energia seja consumida pela rotina e pelas obrigações porque não deixam espaço para refletir sobre esta núvem que páira. Às vezes, é mais fácil não pensar porque não se corre o risco de escorregar na espiral que leva ao fundo, e consome sem regra nem previsão. Esta semana, nem à música tenho prestado atenção. Refugiei-me automaticamente na rotina. Percebi agora que, por vezes, ao tentar controlar não sentir algo em específico, deixo de procurar o que naturalmente me faz sentir, e deixo de sentir de todo, e tudo. Esta semana senti apenas o corpo; senti cansaço, sono, fraqueza, enjoo, senti o sol quente abraçar-me a pele, senti o calor das mantas, senti o frio que guarda a sombra, o corpo a ressentir a falta de treino, senti a colun...
Recebi um convite para ir a um hotel no Porto.  Convidada por alguém de quem já me esqueço mais do que me lembro. Ainda assim pergunto-me, porquê ele? E, mais ainda, porquê o Porto? Se os sonhos se baseiam nos detalhes que nos prendem, no que nos rodeia ou naquilo em que estamos constantemente a pensar, porque sonhei com elementos que não fazem parte da minha realidade em nenhuma dessas formas? Hesitei em aceitar, quando ainda não tínhamos conversado verdadeiramente. Mesmo em sonho, como em realidade, não chegámos a falar. E eu não cheguei a ir ao Porto.
Não nos conhecemos. Talvez tenha sido apenas a solidão de cada um. Talvez tenha sido a vontade de quebrar a rotina. Talvez tenha sido a carência, a sensação de parar o tempo. Mas nada nem ninguém existe apenas nas pausas, se não forem seguidas de cada presente. Não foste tu quem conheci, nem me conheceste a mim. Talvez tenha sido um futuro não alcançado. Um futuro que não foi feito para se cumprir.
I'm the next chapter. Mine. And yours if you dare. I'm the roaring of an awaiting and eager future looking for its place in this present moment. So what if I'm too sensible, too quiet, too anxious?  I know that there's a place for me, the one that I'm creating. I know the people who are meant to be part of my life will understand what I feel, will know about the unspoken and will share the same wonder for life. So what if it's okay to have failed? Because it is. Because it has taught me, it has proven me what isn't mean to be.  What's meant to be will always find you. And so I will find myself aswell.

Acordar e Mudar de Vaso

Estas últimas manhãs tenho acordado mais cedo que o normal, e a luz do dia tem-me recebido como um abraço. Atravessa pelas cortinas brancas recém estreadas, leve e clara, reflete as portadas ou os eixos dos vidros. Manhãs que não ansiava ver, agora fazem-me antecipar como será o próximo acordar. Tem sido com paz, e um sentido de arte natural. Como se soubessem o quanto preciso dessa magia simples, desse abraço, dessas obras que se refletem quarto a dentro. Que me convidam a sair, a renovar, a olhar de novo, para um novo. Talvez saibam que as paredes ainda não têm quadros, talvez saibam que estou presa a uma moldura que não me serve, muito menos para me fechar cá dentro. A arte vem de fora, mas a luz vem de dentro. Talvez saibam que alguém me iludiu de noite e desiludiu os dias, e por isso me relembrem que devo viver debaixo da luz do céu acesa. De noite até se podem revelar certos esconderijos no embalo do silêncio e penumbra, mas há verdade mais transparente e valiosa do que aquela qu...