Esperamos a primavera
Passamos de um dia à espera, para uma semana. A esperança fica parada, equilibrada na corda, com medo de andar e cair, fica à espera que ele a alcance. Passamos de uma semana a um mês. No mesmo sítio, posamos para atrair o que está na ponta da corda a observar, parece-nos resultar. Os meses acumulam-se tanto que verão torna-se inverno e a primavera está quase a ser. Numa margem de segundos, olhamos para baixo e, quando o nosso olhar regressa, já não está lá ninguém a olhar de volta, ele foi embora. Restamos apenas nós, o corpo e o coração ferido pela esperança de o ver chegar. Sentimos o frio apoderar-se do que do amor, vingativos ficamos, mas nada fazemos, invejamos aquele que o tem agora como amor e, a pouca dignidade que resta, perguntará até à primavera o porquê de ele ir sem nunca avisar ou se despedir. Regressamos passo a passo, lentamente, até ao sítio onde ele outrora ficou, alimentando a esperança de que com o brotar das flores, brote também um novo amor.
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