Um silêncio quebra-se, mas refaz-se, refortalece-se. Ainda está a guitarra ao canto do quarto, cheio de coisas achadas precisas, vazio de afetos e cheio de inoxidade. As tarefas para expandir o ser ficam por baixo de um pisa-papéis, aí se acumulam, surprimidas pelo peso da incerteza, da apatia, do não saber o que ser. O coração que repousa desconfortáel ainda não eliminou presenças alheias que ainda são causa e fazem parte de planos fictícios e acelerados batimentos cardíacos. Eu não tenho inimigo, mas alguns têm-me assim, encaro-os como a lembrança do que fui, do que não quero voltar a ser, se o meu ser lhes incomoda é porque me vêem a crescer e a melhorar, como nunca pensaram. Abstraio-me de mim, o que estou a tentar suprimir? Para a alma, o cansaço de nada fazer. Eu quero soprar o inútil e respirar no vazio temporário conectado com pessoas que me queiram e que me queiram bem. Hoje eu caio na cama para dormir, caio no chão, se cair, não caio facilmente, mas se cair, já sei como levantar-me, levanto-me.
Estou neutra, apática, plana, até quando vou deixar de estar e partir?

(Escrito em data incerta, mas o sentimento prolongou-se até recentemente, mas hoje, parto.)

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