Embora
E se for agora que desapareço? Agora que desvaneço, que vou daqui para fora.
E se for agora que o tempo se esgota? Como eu.
E se for agora, que parto sem volta? Que me calo de vez. Que me faço de morta.
E se for agora? Que o tempo congela, e as paredes se elevam.
Vou-me embora, não me faz bem estar onde estou. Vou-me embora, não tenho ar para respirar, e ser quem sou. Vou-me embora, como me sugam a alma, me roubam o tempo. Vou-me embora, como sei que não existo, mesmo quando insisto em fazer-me ver. Desapareço.
E, se for? Nada resta. Como nada resta de mim agora.
Deixo os demónios, e vou sem nada, começo no vazio, mas começo eu.
Que seja o quanto antes. Agora. E que tudo desapareça.
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