Olha, e se gostar de ti? Qual é o mal?
Gosto de ti.
Do teu cabelo rebelde e felino, dos teus dedos desalinhados do destino, que são receosos mas que acalmam ao tocar sensivelmente. Faz-te leoa, olha-te ao espelho sem procurares defeitos. Olha no fundo daquela que te olha de volta e diz: "Eu amo-te."
É o teu corpo; único e recipiente de todas as tuas vontades, paixões, mágoas, sorrisos e tristezas. Não te fiques pela metade, tens toda a liberdade para seres com certeza. Confia mesmo sem saberes porquê, apenas porque és tu e bastante, confiante e radiante, ingénua mas autêntica, de ternura envergonhada mas disposta a amar e ser amada.
Então relaxa e abraça-te e veste-te porque gostas da roupa e não por ser a melhor capa. Sorri sem pores a mão à frente. Olha nos olhos de quem te tente. Deixa-te ser intrometida atrevidamente, deixa-te errar e enganares-te estupidamente porque por mais que tentes fugir de ti, serás sempre tu no fim ou no começo.
O medo pesa, a vergonha diminui-te mas o perdão acalma, a aceitação preenche e a confiança liberta-te.
Adoro-te miúda, vemo-nos um dia já gente.

8.12.2016

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