Há tanto silêncio cá dentro que deixámos de ouvir

Guardamos silêncios, como quem guarda relíquias. Silêncios gritantes que nos rasgam cá dentro, ofuscam a sanidade e fazem de nós lunáticos. Não foram despejados a quem deviam, e essas palavras não servem a mais ninguém, ou são muito justas ou muito largas. Guardamos os silêncios dos outros, e há tanto silêncio cá dentro que deixámos de ouvir a profundidade das palavras, de quem somos, deixamos de nos ouvir. Ninguém cá entra, há demasiado ruído, o ranger da ausência a roçar na solidão, como concretas paredes que se atingem, ambas prestes a desmoronar.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Linha correspondente

Sê, É